domingo, 20 de fevereiro de 2011

Metade de mim, que anda por aí.

Estamos à meio em verdades distintas. Você para um lado. E eu para o outro. É como se a terra tivesse dividida em dois. A minha metade e a sua. Foi como cortar uma laranja ao meio sem nenhum ressentimento e distribuí-las a pessoas distintas só para certificar que estão separadas. Eu abraçando minha verdade e tornando-a parte de mim. E você com a sua, de mãos dadas, só para destruir uma outra. Sem ter que jamais largá-la. Sem ter que jamais se sentir sozinha daquilo. Vai além de querer torná-la parte de você. É como uma reputação que não pode jamais ser jogada fora. Entendo. Vamos continuar andando assim, e cada esquina que cruzarmos a terra vai rachar separando-nos. Tornando vil o que plantamos em uma verdade, que antes, era única. Hoje, até o vento se divide. Para você ele vem de um lado, e para mim ele sopra de outro. Passando bem distante do que poderia ser perto. E por incrível que pareça, essa situação continua não sendo o melhor para qualquer uma das partes. Mas o tempo há de preencher. O tempo vai sim cobrir o que em mim agora falta. O tempo vai sim semear. E o que agora está inteiramente dividido tornará ponte onde verdade nenhuma continue impedida de passear pelo cemitério vizinho. O tempo sempre é amigo. O que ele não poderá nunca conceder é que elas algum dia retornem um abraço. O tempo leva, o tempo constrói, o tempo reconstrói, o tempo cura, mas as escolhas estão fora desse ciclo e novas circunstâncias terão de se fazer existir por si só. Enquanto isso, continuo sendo metade abraçada numa verdade.

Doces visitas...

Hoje a manhã passou com o vento. O céu assim nesse tom cinza esverdeado deixando a pele fria e a tristeza amiga. Sentei-me no leito da superfície que refletia azul e ali estava acompanhada. A lembrança apareceu bem no último vagão daquelas ondas, e seguia meu olhar. Ela parece estar sempre me seguindo. É quase como fazer parte de algum canto do meu corpo que quando eu olho, não tem como fugir a Lembrança. Ela brincava. Ela desaparecia naquela imensidão de mar, e depois ressurgia pleiteando ainda mais a alegria de se mostrar. E parecia eu estar em família. Soria ou chorava enquanto observava a lembrança mandar em mim. Estava bom até ali. Mas tinha alguma coisa querendo me derrubar. Estava por trás querendo chamar atenção de todas as formas. Parecia às vezes uma coisa ruim, outras vezes... não sei. A saudade. Ela escancarava desespero em sua abstrata face. Sim, e era um reflexo. Coloquei a saudade deitada no meu colo, e a consolei. Estava ali pra ela. Ela precisava de mim, e eu precisava do conforto dela. Mesmo sem saber ao certo se ela me faz bem ou mal. E ali continuei tranquila a vagar pelas inconstâncias dos meus pensamentos e sentimentos. Acompanhada de mim.