
Entre encontros e desencontros meus, encontros e desencontros dela, há três meses atrás eu tive a sorte, como ja lhes disse certa vez, de ter conhecido. Como Fernando Pessoa diz "Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão", eu nao sei ainda quais motivos me levaram aquele encontro num sábado a noite. Mas sei que depois dele, muita coisa foi acrescentada em mim. Seu jeito agressivo e arrogante nao foram, nem nunca será empecilhos para que eu deixe de achar aquela baixinha ousada uma das criaturas mais incríveis que encontrei por aí. Ah o acaso. Eu me lembro. A gente parou num posto. Ela desceu do carro super estressada porque um molequinho de rua tinha topado na sua filha, e aquilo se tornou um tanto engraçado. Ela me viu rindo, jogou os cabelos conforme virava o rosto um pouco inclinado e olhou para mim com uma cara de: o que é que você está rindo garota? E foi nesse instante que o meu consciente percebeu e criou uma admiração. Pequenininha, acho que um pouco menor que eu, mas a diferença é grande porque ela tem 46 anos e eu apenas 17, ainda vou crescer, e ela nao. Enfim. Cabelos curtos e extremamente soltos, do jeito que eles quisessem estar ela deixava. Vestia um short jeans, e uma blusa branca que combinava e combina demais com ela sempre que usa. Estávamos indo a lagarto onde ela tem um apartamento e morou muitos anos, e onde tinha uma namorada. Eu era convidada da amiga dela,que mal conhecia também. Sempre topei essas coisas meio loucas e repentinas que aparecem em mi vida. Pois é. Lá, eu nao conseguia parar de observar, e nem era escolha minha, eu tenho essa coisa impulsiva, e fica difícil de controlar. Ela, por algum motivo, nao conseguiu dar atenção necessária a sua namorada, a moça teve que ir embora e pronto ficamos naquela situação de troca de olhares desentendidos. Domingo. Isabella deixou ela na porta de casa já em Aracaju. Anotei na minha agenda com folhas recicladas, o seu e-mail e o site no qual tinha uma coluna, e tchau. Não sei, mas eu sentia que aquele dia nao seria o ultimo que nos encontraríamos. E realmente. Na sexta-feira da mesma semana, aquele encontro foi decisivo. Foi me pegar em casa. Entrei no carro e achei ela mais bonita do que a primeira vez. Não sabia que aquele cheiro de Humor nunca iria me largar, mas me agradou bastante.
- Quem está usando esse perfume, você ou sua filha?
- E agora ?
Ela bebia Pérgola e fumava Free. Eu observava, as vezes me aparecia no rosto um sorriso de lado, e fumava meu carlton de sempre, apenas. Conversamos e nos conhecemos de verdade. Ela falava mais que eu, e me fazia várias perguntas. Entreassuntos e declarações foi para ela que meu corpo me levou. Esse dia era 13 de março. Hoje, junho, pouco tempo, e coisas demais ja aconteceram. Pedido de namoro, até pedido de casamento, por mais que tenha sido na brincadeira. Declarações extremamente apaixonadas. Presentes significativos. Viagem. Nossa! Brigas. Palavras pesadas. Pensamento em ir embora. Humilhações. Ciúme exagerado. Vontade de nunca mais ver. Insultos. Estivemos mais mal do que bem, juntas. Não tinha aparecido ninguem em minha vida que me fizesse tão mal. Mas não tinha aparecido ninguem em minha vida que tenha me deixado nesse estado crítico de paixão. Seria a pessoa que eu largaria qualquer coisa para estar junto, e foi o que eu fiz várias vezes e que continuo fazendo. Seria a pessoa que se quisesse me levar para outro planeta, eu iria. Seria a pessoa que eu amaria. Seria a pessoa que eu teria uma rotina junto. Seria a pessoa que eu daria o mundo se fosse possível. Enfim. O infelizmente desse final, foi ter nos encontrado em épocas diferentes demais. Cruzamos no momento que eu estou com passagem de ida na mão, e não existe nada que se possa ser feito para modificar isso. Ou existe? Ei! Vou carregar você comigo por um sempre. Sempre.
(espero que a filha que eu tiver um dia, nao se apaixone desse jeito com 17 anos)
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